Relacionamentos

Relacionamentos começam e terminam a todo momento. A cada segundo, o relacionamento é construído e reconstruído. Ele deixa de existir quando um dos envolvidos passa a transformar o relacionamento no seu ópio com relação a realidade.

Precisar do outro como motivação para viver, não é relacionar-se, é depender. Dependência leva a sofrimento, causa dores iguais a de uma abstinência, transforma o prazer em uma necessidade doentia que nunca sacia.

Ninguém pode ser a cura para a crise existencial do outro. Suportar a solidão é um exercício que deve ser praticado diariamente, pois sempre estaremos sozinhos, não importa a multidão que haja ao redor, não importa quantos amigos e pessoas nos cerquem. Sempre estamos a sós e nada pode mudar isso.

A vida por mais que pareça uma estrada longa e majestosa, não passa de uma coisa efêmera, um sopro fino e inconsistente dentro do Universo. A eternidade nunca poderá ser alcançada enquanto nós formos apenas seres humanos.

O não mais difícil da vida, é aquele que precisamos dizer a nós mesmos. Aprender a dizer não a si é extremamente dolorido e igualmente necessário. Poderia dizer que é inclusive uma virtude que deveria ser buscada, para no fim alcançar a recompensa da felicidade, ainda que ela dure apenas um momento, pois essa será verdadeira, enquanto o ópio, apenas distorce a realidade.

Um relacionamento que termina é uma fenda que se abre na alma, para que possamos expulsar vários demônios e deixar um pouco de luz entrar.

Prefácio…

… e da fruta proibida de onde os pecados surgiram

veio também todo o fluxo narrativo de acontecimentos

que fazem dessa narrativa

uma lenda imortal e vivente

mais do que nunca nos dias de hoje.

sin

Livro I – Gênesis

Céu

Céu banhado de um laranja poente
em plena noite, a tardar me dei conta

Me pus a caminhar na direção oposta a metade da curva reta
depois das montanhas com arvoredos estranhos

Acho que é melhor ir dormir
o sonho não atormenta o que eu tento apagar como o sono

Não se vá

não duvide, não viva, não espere.

Uma volta, duas, três, não paro de contar, não paro de andar e ainda assim…

Fim.

Não mais composições cinematográficas
Nem sequer melodia
Ou poesia
Destitui-nos da razão, lógica, me encheu de sensações
Mas o fim é vazio.
O fim é o tudo sendo nada.
O som da palavra não dita que ecoaa vagarosamente sem rumo

é igual ao silêncio do que foi dito e que não tem mais sentido.

Mas é o que devia ser não é? Porque ser ou não ser eu não posso mais escolher.
Sem dúvidas. Apenas atos
fatos
ação
comédia e o drama
sempre o drama, com um pouco de suspense se me permite.

Não há nada como,
Não há nada que,

nada pode

Nada é. Porque é o fim.

Ervilhas.

   E o medo de que tudo se evapore como uma cortina de fumaça em meio ao deserto levando consigo todo o oásis da minha existência. não , não,  nem mesmo o mais podre dos seres suportaria a dor da carne  sendo rasgada por fortes rajadas da nua e crua realidade, nem mesmo a mais doce criatura possível suportaria com benevolência a ausência da dose de loucura e êxtase… e quando todo o vazio está completo tememos que transborde e se espalhe e não possa ser encontrado deixando assim um vazio maior do que aquele ao anterior existente.

   Ahh porque necessito de caminhadas à noite sem rumo, conversas sem palavras ditas, sorrisos involuntários, dormir sobre um noite chuvosa… e acordar sobre o dia mais ensolarado da face da terra.

  Não, eu nunca vou sobreviver sem ervilhas. ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh. ( grito de felicidade)